Etiquetas

, , , , ,


Livro-Bíblia-Leitura3Como já vimos no artigo anterior, a humanidade naqueles tempos bíblicos ainda não tinha a mais pálida ideia, como se costuma dizer, do que era um bolo de chocolate com chantilly, ou o Big Bang, ou um bife com ovo a cavalo, ou um dinossauro, ou um avião, ou uma simples playstation, então, os escritores, pensadores, poetas, filósofos, cientistas, chefes religiosos, oportunistas, vigaristas e publicitários, tiveram que escrever sobre o mundo e as pessoas que conheciam e imaginar tudo o que desconheciam. Então, olhavam para o céu pois este era, e continua a ser, o lugar por onde a imaginação e a esperança se pode espairar mais facilmente, pois não se lhe observam limites, e aí descobriam corpos celestes, que logo tomavam forma e caraterísticas das outras criaturas conhecidas do homem e dele mesmo. Tal e qual como nós fazemos hoje, nem mais, nem menos.

Hoje sabemos que a Terra gira em volta do Sol e, salvo uma meia dúzia de espíritos de contradição que por aí andam, ninguém põe tal facto em causa, então, dada a monotonia deste e doutros conhecimentos que adquirimos, muitos espíritos inquietos e sedentos de novidades imaginam, entre milhares de outras coisas, naves espaciais e discos voadores a sobrevoar a terra. Umas vezes, esses visitantes de outros mundos assumem uma atitude bélica e cheia de más intenções, são invasores cruéis que cobiçam o nosso oxigénio, porque o deles acabou, pretendendo acabar com a espécie humana, ou, se concluírem que o oxigénio é suficiente para todos, fazerem de nós seus escravos; outras vezes, na mais plácida e benigna das intenções, essas máquinas, tecnologicamente muito à frente das nossas, voam na atmosfera terrestre para nos proteger, quem sabe se dos raios ultravioleta que se esgueiram pelos buracos de ozono, quem sabe se para nos ensinarem coisas extraordinárias de outras galáxias. Seja como for, o facto é que uma mão cheia dessas pessoas, das que olham para o céu e vêm discos voadores, afirmam ter a certeza que já entraram nessas naves, verdadeiros mundos prodigiosos que mais ninguém viu, e, os mais audazes, a quem muitos chamam impostores, não se sabendo se com ou sem razão, mas eu prefiro chamar-lhes audazes, como ia dizendo, os mais audazes até escrevem livros sobre as suas extraordinárias experiências pessoais, encantando e enriquecendo o nosso fantástico coletivo e, sem dúvida, contribuindo para as lendas e narrativas mundiais.

Para já a questão das naves intergalácticas está neste pé, ou seja, no campo do fantástico, pois os observatórios espaciais por este mundo fora ainda não deram conta de nenhuma e, presumindo-se que os seres humanos, de olhos nus, vêm com muito menos precisão do que através de um telescópio de brincar, pouco há a acrescentar.

Mas vamos ao que interessa, atualizar a bíblia sem lhe retirar todo o seu interessa histórico que é muito valioso, quanto mais não seja para sabermos o que pensavam, sabiam, e sentiam os nossos antepassados. Cabe aqui uma informação importante cedida gentilmente pelo nosso leitor, comentador e vlogueiro Wagner Menke, a quem agradecemos a ajuda, e que é a seguinte, a bíblia como nós a conhecemos, não é um texto sequencial, assim como é um manual de história, ela foi escrita, reescrita, copiada, mal copiada acidentalmente, mal copiada de propósito, organizada, reorganizada e voltada a organizar das mais diversas formas possíveis, até chegar ao livro que hoje conhecemos. Deste modo, os biblistas e outros académicos dividem os textos da bíblia em códigos, códigos esses que são baseados, entre outras coisas, na época em que foram escritos. Assim, no livro de Genesis existem, por assim dizer, dois relatos da criação distintos. Do primeiro, que pertence à fonte P (priestly), (1) fazem parte os versículos 1:1 a 2:4 e foi escrito por autores que terão vivido entre o VII e o VI séc. AEC, época em que se julga que o povo hebreu tomou a decisão de se tornar monoteísta, isto é, deixou de adorar diversos deuses e passou a adorar um único deus, ao qual nós, hoje, chamamos simplesmente Deus; o segundo relato vai do versículo 2:5 ao 2:24, pertence à fonte J (Javeísta) (2) e, curiosamente, foi escrito numa época anterior, entre o XI e X séc. AEC.

.

Texto original na bíblia católica, Gn 1:2

“A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o espírito de Deus [Elohim] movia-se sobre as águas.”

Texto da bíblia K3.11, Gn 1:2

“Agora a temperatura é extremamente elevada, as partículas e antipartículas estão em equilíbrio(3), e o espírito de Deus move-se na quarta dimensão sobre aquilo que será o universo.”(4)

.

Por hoje é tudo caros leitores, façam a vossa avaliação, protestem, blasfemem e sejam felizes. Até ao próximo artigo!

– – – – – – –

(1) Consulta em 01.04.2012, https://www.youtube.com/watch?v=M1emg30dI2w Esta fonte, P, refere-se a relatos, adendas ou arranjos feitos por sacerdotes.

(2) Idem. A fonte J ou Javeísta refere-se a uma época em que as referências bíblicas são dominadas por Jeová, ou Javé, ou Yave, ou, para os puristas, YHVH.

(3) A Briefer History of Time, Eric Schulman, pág. 9

(4) Deus está agora entusiasmado com o novo nível alcançado, capricho que não lhe podemos levar a mal, e deixou o seu espírito naquela dimensão e lugar(?) estranhos.

– – – – – – –

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Anúncios